Narrativas jornalísticas sobre o dia do fogo na Amazônia: O caso da Folha de S. Paulo (Brasil) e do Público (Portugal)

Autores

  • Thaís Braga Centro de Estudos Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, Portugal
  • Sandra Marinho Centro de Estudos Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.36367/ntqr.9.2021.56-65

Palavras-chave:

Amazônia, Hermenêutica de Profundidade, Análise Pragmática da Narrativa Jornalística, Folha de S. Paulo, Público

Resumo

O dia do fogo na Amazônia remete aos incêndios florestais que se espalharam do Brasil para outros países da América do Sul, em agosto de 2019. O artigo objetiva identificar e compreender quais foram as narrativas jornalísticas sobre o dia do fogo na Amazônia e como foram produzidas. Foram selecionados os jornais de língua portuguesa Folha de S. Paulo (Brasil) e Público (Portugal) para a observação e análise do caso. Como suporte teórico-metodológico, recorreu-se à hermenêutica de profundidade (HP), que associa três estágios analíticos individuais e interdependentes: análise sócio-histórica, análise formal ou discursiva e reinterpretação. Na análise sócio-histórica, foram caracterizados: 1) a Amazônia, como fronteira socioeconômica; 2) o jornalismo, pela capacidade de articular os acontecimentos sob a forma de narrativa; 3) os jornais Folha de S. Paulo e Público, pela importância em cada país. Na análise formal ou discursiva, foram operacionalizados os procedimentos metodológicos: constituição do corpus por amostragem não probabilística de casos típicos; observação direta (grelha de análise) e observação indireta (entrevista semiestruturada em profundidade com os principais jornalistas do caso); e análise pragmática da narrativa jornalística. A partir dos seis movimentos previstos por esta técnica (recomposição da intriga; identificação dos conflitos e funcionalidade dos episódios; construção de personagens jornalísticas; estratégias comunicativas; relação comunicativa e o “contrato cognitivo”; metanarrativas), observou-se que as narrativas produzidas pela Folha de S. Paulo e pelo Público tiveram características próprias. Enquanto o jornal brasileiro configurou um conflito com começo, meio e fim, no jornal português a narrativa terminou em anticlímax. Na Folha de S. Paulo, predominou a ideia de impunidade dos crimes ambientais na Amazônia, já, no Público, evidenciou-se o lamento diante da perda de biodiversidade.

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Publicado

2021-07-08

Como Citar

Thaís Braga, & Sandra Marinho. (2021). Narrativas jornalísticas sobre o dia do fogo na Amazônia: O caso da Folha de S. Paulo (Brasil) e do Público (Portugal). New Trends in Qualitative Research, 9, 56–65. https://doi.org/10.36367/ntqr.9.2021.56-65