Motivos que levam gestantes e parturientes a optarem pela cesariana: Revisão integrativa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36367/ntqr.13.2022.e694

Palavras-chave:

Gestantes, Médicos, Cesárea, Cesárea Repetida, Parto Obstétrico

Resumo

 Os altos índices de cesariana no Brasil tem gerado riscos para a mãe e neonato quando realizada de maneira indiscriminada e sem indicação clínica. Objetivo:  Identificar os motivos que levaram as gestantes e as parturientes a optarem pela cesariana, segundo a literatura. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa. Os critérios de inclusão dos artigos foram os que respondam à pergunta de pesquisa, publicados em português ou espanhol, no período entre 2010 a 2020, disponíveis integralmente online. Os critérios de exclusão foram os de revisão sistemática ou integrativa e outros tipos de publicações como teses, dissertações, memorial e manuais. Empregou-se as bases de dados, O Scientific Electronic Library Online (SCIELO), literatura latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Banco de Dados em Enfermagem (BDENF). Resultados: Os motivos que levaram as gestantes e as parturientes a optarem pela cesariana foram: idade materna avançada; padrões culturais como crenças, costumes e reprodução de vivências familiares; medo de sentir dor no trabalho de parto; a influência da mídia; maior nível socioeconômico; maior escolaridade e pré-natal e parto realizado no setor privado. E, mais, a cesariana é vista pelas mulheres como escolha segura. A passidade e a falta de autonomia da mulher frente ao médico; o medo da mudança do corpo e no processo de sexualidade; o acompanhamento contínuo do médico durante a parturição e a facilidade no agendamento, também foram justificativas apontadas para a realização da cesariana. Considerações Finais: Diante desses motivos, sugere-se que a educação em saúde em uma perspectiva problematizadora promovida pelos profissionais sobre os diferentes tipos de parto, subsidiará a escolha da mulher, resgatando o seu protagonismo nesse processo.

Referências

Alves, N. C. C.; Feitosa, K. M. A.; Mendes, M. E. S. & Caminha, M. F. C. (2017). Complicações na gestação em mulheres com idade maior ou igual a 35 anos. Rev Gaúcha Enferm.; 38(4), 1-8. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1983- 1447.2017.04.2017-0042. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rgenf/a/sv9h8bdt75zgqKhgXwfSBmB/?format=pdf&lang=pt.

Brasil, M. L., Sousa, F. L. P., Santos, L. V., Lira, L. C. S., Hamad, G. B. N. Z. (2015). Contribuições da Rede Cegonha para o acompanhamento do pré-natal por Enfermeiras da Atenção Básica. Brasília, DF. Recuperado de http://apps.cofen.gov.br/cbcenf/sistemainscricoes/arquivos Trabalhos/I45350.E11.T8629.D7AP.pdf. BRASIL. Ministério da Saúde (2001). Secretaria de Políticas de Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher. Brasília, DF. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd04_13.pdf.

Brasil. Ministério da Saúde (2017). Apice On: Aprimoramento e inovação no cuidado e ensino em obstetrícia e neonatologia. Brasília, DF. Recuperado de http://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/apice/wp-content/uploads/2019/02/O_projeto_ApiceOn.pdf.

Brasil. Ministério da saúde. (2014a). Implantação das Redes de Atenção à Saúde e outras estratégias da SAS. Brasília, DF. Recuperado de https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/implantacao_redes_atencao_saude_sas.pdf.

Brasil. (2014b). Implantação das Redes de Atenção à Saúde e outras estratégias da SAS.

Brasil. Ministério da Saúde. (2016). Diretrizes de Atenção à Gestante: a operação cesariana. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS [Conitec]. Brasília, DF. Recuperado de http://conitec.gov.br/images/Relatorios/2016/Relatorio_Diretrizes-Cesariana_final.pdf.

Brasil. Ministério da Saúde. (2010). Portaria n. 4.279, de 30 de dezembro de 2010. Estabelece diretrizes para a organização da Rede de Atenção à Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e dá outras providências. Diário Oficial daUnião, Brasília (DF); 31 dez 2010; Seção 1:88.

Brasil. Ministério da Saúde. (2011). Portaria n. 1.459, de 24 de junho de 2011. Institui no âmbito do Sistema Único de Saúde-SUS - a Rede Cegonha. Diário Oficial da União, Brasília (DF); 27 de junho de 2011; Seção 1:109.

Botelho, L. L. R.; Cunha, C. C. A.; Macedo, M. (2011) O método da revisão integrativa nos estudos organizacionais. Rev. Eletronic. Gestão e socie., 5 (11). DOI: https://doi.org/10.21171/ges.v5i11.1220. Recuperado em: https://www.gestaoesociedade.org/gestaoesociedade/article/view/1220/906.

Cesar, J. A., Mano, P. S., Carlotto, K., Gonzalez-Chica, D. A., Mendonza-Sassi, R. A. (2011). Público versus privado: avaliando a assistência à gestação e ao parto no extremo sul do Brasil. Rev. Bras. Saude Mater. Infant., 11 (3). Recuperado de https://www.scielo.br/j/rbsmi/a/bycryjy3vTsN7Xnn99hWzcv/?lang=pt.

Cesar, J. A.; Sauer, J. P.; Carlotto, K.; Montagner, M. E. & Mendonza-Sassi, R. A. (2017). Cesariana a pedido: um estudo de base populacional no extremo Sul do Brasil. Rev. Bras. Saude Mater. Infant., 17 (1). DOI: https://doi.org/10.1590/1806-93042017000100006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbsmi/a/GCPfyxnpYVTtLfRBbfrcFKD/?lang=pt.

Freire, N. C.; Nunes, I. M.; Almeida, M. S. & Gramacho, R. C. C. V. (2011). Parto normal ou cesárea? a decisão na voz das mulheres. Rev. baiana enferm.; 25(3). DOI: https://doi.org/10.18471/rbe.v25i3.6027. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/enfermagem/article/view/6027.

Mascarello, K. C., Horta, B. L. & Silveira, M. F. (2017). Complicações maternas e cesárea sem indicação: revisão sistemática e meta-análise. Rev. Saude Pública, 51(105), 1-12. doi: https://doi.org/10.11606/S1518-8787.201705100038. Recuperado de https://www.scielo.br/j/rsp/a/3VgZrTGB4D7xzgBwKrPVRRN/?lang=pt&format=pdf.

Matos, G. C.; Soares, M. C.; Muniz, R. M.; Escobal, A. P. L.; Boettcher, C. L. & Quadros, P. P. (2018). Representações sociais do processo de parturição de mulheres que vivenciaram a gravidez na adolescência. Rev. pesqui. cuid. fundam. (Online); 10(4): 1077-1084. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-915845.

Ministério da Saúde (2016). PORTARIA Nº 306/MS de 28 de março de 2016. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2016/marco/31/MINUTA-de-Portaria- SAS-Cesariana-03-03-2016.pdf.

Morais, J. M. O.; Paz, B. S. N. & Bezerra, S. M. M.. (2017). Parto humanizado sob a ótica de puérperas atendidas em uma maternidade pública. Rev enferm UFPE (online), 11 (11), 4625-30. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/viewFile/231202/25200.

Nakano, A. R., Bonan, C. & Teixeira, L. A. (2015). A normalização da cesárea como modo de nascer: cultura material do parto em maternidades privadas no Sudeste do Brasil. Rev. Saúde Colet. Physis, 25(3). doi: https://doi.org/10.1590/S0103-73312015000300011. Recuperado de https://www.scielo.br/j/physis/a/3XPyMKsZWKpmnQmYGnzvXpG/abstract/?lang=pt.

Nakano, A. R., Bonan, C. & Teixeira, L. A. (2017). O trabalho de parto do obstetra: estilo de pensamento e normalização do “parto cesáreo” entre obstetras. Rev. Saúde Colet. Physis, 27(3). doi: https://doi.org/10.1590/S0103-73312017000300003. Recuperado de https://www.scielo.br/j/physis/a/b9tSSPmDGmf7hwCNw7MV4rg/?lang=pt.

Pádua, K. S.; Osis, M. J. D.; Faúndes, A.; Barbosa, A. H. & Filho, O. B. M. (2010). Fatores associados à realização de cesariana em hospitais brasileiros. Rev. Saude. Public., 44 (1). DOI: https://doi.org/10.1590/S0034-89102010000100008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rsp/a/YFtSmLjPMLPr6nVNmpG6gwk/abstract/?lang=pt.

Pereira, R. R.; Franco, S. C. & Baldin, N. (2011a). Representações sociais e decisões das gestantes sobre a parturição: protagonismo das mulheres. Rev. Saude soc., 20 (3), São Paulo. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sausoc/a/KHwhLKKC3BwvPDsn7RhDTqf/abstract/?lang=pt.

Pereira, R. R., Franco, S. C. & Baldin, N. (2011b). A dor e o protagonismo da mulher na parturição. Rev. Bras. Anestesiol., 61(3). doi: https://doi.org/10.1590/S0034-70942011000300014. Recuperado de https://www.scielo.br/j/rba/a/5D9QrxdXYGnzBLfzWMtcCFy/?lang=pt.

Pimenta, L. F.; Silva, S. C.; Barreto, C. N. & Ressel, L. B. (2014). A cultura interferindo no desejo sobre o tipo de parto. Rev. Pesqui. Cuidad. Fundam. (Online); 6(3): 987-997. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/5057/505750623013.pdf.

Pimentel, T. A. & Filho, E. C. O. (2016). Fatores que influenciam na esolha da via de parto cirúrgica: uma revisão bibliográfica. Universitas: Ciências da Saúde, 14 (2), 187-199.DOI: https://doi.org/10.5102/ucs.v14i2.4186. Disponível em: https://www.publicacoesacademicas.uniceub.br/cienciasaude/article/viewFile/4186/3 279.

Pires, D.; Fertonani, F. P.; Conill, E. M.; Matos, T. A., Cordova, F. P. & Mazur, C. S. (2010). A influência da assistência profissional em saúde na escolha do tipo de parto: um olhar sócio antropológico na saúde suplementar brasileira. Rev. Bras. Saude Mater. Infant., 10 (2). DOI: https://doi.org/10.1590/S1519-38292010000200006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbsmi/a/qygFYsJWcXDLMDqvRwm7wLQ/abstract/?lang=pt.

Queiroz, R. R.; Lima, M. M.; Gregório, V. R. P. & Collaço, V. S. (2019). Assistência prestada às mulheres que foram submetidas à cesariana por parada de progressão. Rev. min. Enferm (REME); 23, 1-7. Disponível em: https://cdn.publisher.gn1.link/reme.org.br/pdf/e1204.pdf.

Sales, J. L.; Quitete, J. B.; Knupp, V. M. A. O. & Martins, M. A. R. (2020) Assistência ao parto em um hospital da baixada litorânea do Rio de Janeiro: desafios para um parto respeitoso. Rev Fun Care (Online), 12, 108-114. DOI: http://dx.doi.org/10.9789/2175-5361.rpcfo.v12.7092. Disponível em: https://1library.org/document/q7673goy-childbirth-janeiro-challenges-respectful-assistencia-litoranea-janeiro-respeitoso.html.

Santos, N. L. A.; Costa, M. C. O.; Amaral, M. T. R.; Vieira, G. O.; Bacelar, E. B. & Almeida, A. H. V. (2014). Gravidez na adolescência: análise de fatores de risco para baixo peso, prematuridade e cesariana. Cienc. Saude. Colet., 19 (3). DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232014193.18352013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/gBmNMnrVBmqpjV9GBNqGx5r/?lang=pt.

Silva, A. H. R., Amorim, A. U. N., Fernandes, M. V. M., Amorim, A. S. & Oliveira, M. A. S. (2015). Perfil obstétrico de parturientes atendidas em um hospital público do interior do estado do Ceará, Brasil. Rev. Enferm. UFPI, 4(4), 29-34. Recuperado de https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/bde-31343.

Travancas, L. J. & Vargens, O. M. C. (2020). Fatores geradores do medo no parto: revisão integrativa. Rev. Enferm. UFSM; 10(96), 1-24. DOI: https://doi.org/10.5902/2179769241385. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/reufsm/article/view/41385.

Downloads

Publicado

2022-07-08

Como Citar

Julia Casimiro Sá, Kátia Teresinha Alves Rezende, Mara Quaglio Chirelli, Sílvia Franco da Rocha Tonhom, Aline Pereira de Souza, & Lara Cristina Motta Ragozzino. (2022). Motivos que levam gestantes e parturientes a optarem pela cesariana: Revisão integrativa. New Trends in Qualitative Research, 13, e694. https://doi.org/10.36367/ntqr.13.2022.e694