Investigação Qualitativa em Saúde: Avanços e Desafios // Investigación Cualitativa en Salud: Avances y Desafíos

Novas tendências na investigação qualitativa em saúde: o rescaldo pandémico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36367/ntqr.13.2022.e733

Resumo

Com o advento da pandemia de COVID-19, vimos emergir novas formas de fazer as coisas. Vários aspetos da vida cotidiana foram digitalizados. O que era presencial, em contexto, passou a ser feito a distância. Para o melhor ou para o pior também os cuidados de saúde e a investigação em saúde tiveram repercussões. Por um lado, houve aspetos que melhoraram, outros deixaram a desejar. Não os vou enunciar, porque já foram amplamente debatidos e agora importa dissertar o que nos trouxe até esta página. No campo particular da investigação qualitativa na saúde, também patente nesta edição da NTQR, observam-se novas tendências na forma de investigar, de recolher dados, de produzir resultados. Podemos até dizer que os sucessivos confinamentos e os constrangimentos na recolha de dados no campo, conduziram-nos a um processo mais reflexivo, de olharmos mais para o que outros produziram. Assistimos, nas diferentes áreas científicas, a um aumento de revisões de literatura e outras formas de recolher dados, como por exemplo os latentes na internet. Mas isto não é necessariamente prejudicial, pelo contrário, criou oportunidades para mapear e sistematizar conhecimento. Não reinventar a roda, mas constatar as "rodas" que existem, o que está feito, o que precisa ser feito, inovar e descobrir formas de melhorar os cuidados de saúde nas suas diferentes perspetivas. Talvez pela melhor acessibilidade a dados e logística facilitada, brotaram por exemplo as scoping reviews, que alicerçadas na abordagem qualitativa são das melhoras formas para constatar o estado da arte do que queremos conhecer. Observou-se também, um crescendo de pensamento fora da caixa, com recurso a métodos visuais de recolher informação, como por exemplo imagens e mesmo análises videográficas. Vivemos assoberbados com comunicações, conteúdos criados e trocas de informação, por cidadãos comuns, utilizadores de serviços, profissionais, cientistas e tantas outras pessoas, uma vastidão de dados inexplorados e que emergiram agora, porventura porque o imposto travão das nossas rotinas, levou que olhássemos com mais reflexividade e que lhes déssemos oportunidade. Tudo isto para dizer que a pesquisa mais sedentária, não só mudou a visão de fazer investigação cientificamente válida, como reinventou processos de obtenção de dados que estão à vista, mas que raramente era aproveitado. Sistematizar conhecimento disperso, encurta o tempo e recursos despendidos e acelera a aquisição de competências e, como frequentemente se afirma, a prática na evidência. A evidência existe, porventura não está ao alcance de todos, pelo que não é desprimor reunir, sistematizar, facilitar a interpretação e publicar conhecimento produzido por outrém. Investigar a partir do gabinete, do escritório de forma protocolada e estruturada é produzir conhecimento, que deve ser vertido e bebido por aqueles sem acesso e sem disponibilidade para encetarem investigações de raiz. Por vezes, o melhor conhecimento já foi produzido, guiemos a sua descoberta!

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Publicado

2022-07-09

Como Citar

Jaime Ribeiro, Ellen Synthia Fernandes de Oliveira, Cleoneide Oliveira, Brigida Monica Faria Name, & Lucimara Fornari. (2022). Investigação Qualitativa em Saúde: Avanços e Desafios // Investigación Cualitativa en Salud: Avances y Desafíos: Novas tendências na investigação qualitativa em saúde: o rescaldo pandémico. New Trends in Qualitative Research, 13, e733. https://doi.org/10.36367/ntqr.13.2022.e733