Estratégia de educação em saúde fonoaudiológica para idosos: Relato de experiência

Autores

  • Priscilla Mayara Estrela Barbosa Universidade Estadual do Ceará, Brasil
  • Andréa Cintia Laurindo Porto Hospital Geral de Fortaleza, Brasil
  • Moisés Andrade dos Santos de Queiroz Universidade de Fortaleza, Brasil
  • Cláudia Belém Moura Cabral Universidade de Fortaleza, Brasil
  • Rachel Cassiano de Sousa Universidade de Fortaleza, Brasil
  • Christina César Praça Brasil Universidade de Fortaleza, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.36367/ntqr.8.2021.155-162

Palavras-chave:

Presbifagia, Presbiacusia, Memória, Presbifonia, Educação em Saúde

Resumo

Introdução: As mudanças decorrentes da velhice implicam diretamente em estruturas responsáveis pela comunicação e deglutição. Na laringe, ocorrem calcificações, impactando a fonação (presbifonia) e a deglutição (presbifagia). Na audição, há redução da acuidade (presbiacusia). A memória também apresenta alterações importantes. Objetivo: Relatar a experiência de um grupo de idosos assistidos em um Centro de Referência de Assistência Social, da região metropolitana de Fortaleza, Ceará, por meio de ações que associam saúde do idoso e Fonoaudiologia. Metodologia: As reuniões aconteceram de fevereiro a junho de 2019, com 38 idosos, de ambos os sexos, com idades de 60 a 87 anos. A fonoaudióloga do Núcleo de Assistência da Saúde da Família na Atenção Básica e acadêmicos de Fonoaudiologia prepararam ações de educação em saúde sobre os temas em questão. Os participantes eram estimulados a questionar, compartilhar experiências e esclarecer dúvidas sobre memória, voz, audição e deglutição, especialmente como o envelhecimento afeta essas funções. Diários de campo e registros escritos deram suporte à coleta de dados, que foram analisados a partir da Análise de Conteúdo na modalidade temática e interpretados à luz das teorias sobre envelhecimento saudável. Resultados: Os idosos compreendem o envelhecimento como um processo irreversível, que causa adversidades na comunicação e deglutição, levando ao distanciamento social, sentimentos de vergonha e incapacidade. Os participantes apresentaram melhoras no sentido esperado da intervenção, pois passaram a dar maior atenção às práticas educativas em saúde relativas à saúde vocal, deglutição, audição e memória. Conclusão: Conclui-se que os participantes demonstraram autonomia, ao compreender e aplicar em seu cotidiano as orientações dadas nos encontros, passando a ser multiplicadores dos novos aprendizados junto aos seus pares. Ações de educação em saúde que fortaleçam a rede de apoio aos idosos são essenciais, destacando-se a importância dos cuidados continuados e específicos voltados a esse público.

Referências

Barbosa, W. G., Martin, D. S., & Oliveira, A. F. (2020). Cultura da educação em saúde na prevenção de doenças em idosos. Revista OKARA: Geografia em debate, 14(1), 213-225.

Brasil. (2003). Lei nº 10741 de 3 de outubro de 2003. Dispõe sobre o Estatuto do Idoso. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.741.htm

Brown, H. J., Zhou, D., & Husain, I. A. (2020). Management of presbyphonia: A systematic review of the efficacy of surgical intervention. Am J Otolaryngol., 41(4), 102532.

Carneiro, J. A., Gomes, C. A. D., Durães, W., Jesus, D. R., Chaves, K. L. L., Lima, C. A., Costa, F. M., & Caldeira, A. P. (2020). Autopercepção negativa da saúde: prevalência e fatores associados entre idosos assistidos em centro de referência. Ciência & Saúde Coletiva, 25(3), 909-918.

Chern, A., & Golub, J. S. (2019). Age-related Hearing Loss and Dementia. Alzheimer Dis Assoc Disord., 33(3), 285-290.

Farias, L. L. S., Assis, L. T. D., Dantas, R. B., Silva, F. C. S., Monteiro, V. C. M., Carvalho, P. R. S., Fernandes, C. C., & Bezerra, I. N. M. (2020). Ações de promoção à saúde vivenciada com grupo de isoso: um relato de experiência. Brazilian Journal of Development, 6(6), 33817-33828.

Fonseca, A. C. D., Estevam, S. R., Mariz, S. L. L., Oliveira, L. C., & Souza, C. M. P. (2021). Interdisciplinaridade na gestão do cuidado ao idoso. Brazilian Journal of Health Review, 4(2), 4045-4050.

Freire, P. (2013). Educação como prática da liberdade. 44. ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra.

Guckert, S. B., Souza, C. R., & Arakawa-Belaunde, A. M. (2020). Atuação fonoaudiológica na atenção básica na perspectiva de profissionais dos núcleos de apoio à saúde da família. CoDAS, 32(5), e20190102.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). (2019a). SIDRA: Estimativas de População - EstimaPop. Rio de Janeiro: IBGE. https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/EstimaPop/tabelas

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento. (2019b). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Características gerais dos domicílios e dos moradores 2018. Rio de Janeiro: IBGE. https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101654_informativo.pdf

Jafari, Z., Kolb, B. E., & Mohajerani, M. H. (2019). Age-related hearing loss and tinnitus, dementia risk, and auditory amplification outcomes. Ageing Res Rev., 56, 100963.

Lord, S. R., Delbaere, K., & Sturnieks, D. L. (2018). Aging. Handb Clin Neurol., 159, 157-171.

Loughrey, D. G., Kelly, M. E., Kelley, G. A., Brennan, S., & Lawlor, B. A. (2018). Association of Age-Related Hearing Loss With Cognitive Function, Cognitive Impairment, and Dementia: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg., 144(2), 115-126.

Kost, K. M., & Sataloff, R. T. (2018). Voice Disorders in the Elderly. Clin Geriatr Med., 34(2), 191-203.

Martins, A. M. E. D. B. L., Nascimento, J. E., Souza, J. G. S., Sá, M. A. B. D., Feres, S. D. B. L., Soares, B. P., & Ferreira, E. F. (2016). Associação entre transtornos mentais comuns e condições subjetivas de saúde entre idosos. Ciência & Saúde Coletiva, 21(11), 3387-3398.

Minayo, M. C. S. (2014). O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14. ed., São Paulo: Hucitec.

Minayo, M. C. S., Deslandes, S. F., & Gomes, R. (2013). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 33. ed. Petrópolis: Vozes.

Pinto, I. V. L., Reis, A. M. M., Almeida-Brasil, C. C., Silveira, M. R., Lima, M. G., & Ceccato, M. G. B. (2016). Avaliação da compreensão da farmacoterapia entre idosos atendidos na Atenção Primária à Saúde de Belo Horizonte, MG, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, 21(11), 3469-3481.

Santos, R. G. O., Feitosa, A. L. F., Melo, A. M. S., & Canuto, M. S. B. (2018). Fonoaudiologia e Gerontologia: revisão sistemática da atuação Fonoaudiológica. Distúrb Comun., 30(4), 748-758.

Silva, S. G. M., Assunção, A. N., & Porto, V. F. A. (2020). Perfil fonoaudiológico de idosos participantes de grupos de convivência desenvolvidos na Atenção Primária à Saúde. Distúrb Comun., 32(2), 245-258.

Simões, C. C. S. (2016). Relações entre as alterações históricas na dinâmica demográfica brasileira e os impactos decorrentes do processo de envelhecimento da população. Rio de Janeiro: IBGE, Coordenação de População e Indicadores Sociais.

Warnecke, T., Dziewas, R., Wirth, R., Bauer, J. M., & Prell, T. Z. (2019). Dysphagia from a neurogeriatric point of view : Pathogenesis, diagnosis and management. Gerontol Geriatr., 52(4), 330-335.

Downloads

Publicado

2021-07-08

Como Citar

Priscilla Mayara Estrela Barbosa, Andréa Cintia Laurindo Porto, Moisés Andrade dos Santos de Queiroz, Cláudia Belém Moura Cabral, Rachel Cassiano de Sousa, & Christina César Praça Brasil. (2021). Estratégia de educação em saúde fonoaudiológica para idosos: Relato de experiência . New Trends in Qualitative Research, 8, 155–162. https://doi.org/10.36367/ntqr.8.2021.155-162