Capacidades reprodutivas de mulheres com malformação congênita do aparelho reprodutor: Uma leitura difrativa à luz do realismo agencial de Karen Barad

Autores

  • Caynnã de Camargo Santos Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Portugal
  • Virgínia Ferreira Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.36367/ntqr.8.2021.654-662

Palavras-chave:

Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser, Infertilidade, Análise Qualitativa de Dados, Ontologia, Leitura Difrativa

Resumo

Introdução: Esforços investigativos advindos da biomedicina e da sociologia têm proposto análises sobre a infertilidade feminina cujas insuficiências contribuem para a perpetuação de compreensões essencialistas acerca dos corpos e de suas propriedades. Objetivos: O estudo pretende evidenciar como a modalidade de neomaterialismo proposta pela física e feminista norte-americana Karen Barad, nomeada de realismo agencial, e o método analítico de leitura difrativa sistematizado pela autora permitem-nos edificar compreensões alternativas acerca da infertilidade feminina, apontando caminhos para a superação das insuficiências que se fazem presentes tanto em visadas biomédicas quanto sociológicas sobre o tema. Métodos: A presente pesquisa mobiliza uma abordagem metodológica qualitativa do tipo estudo de casos múltiplos, recorrendo a entrevistas semiestruturadas junto a três mulheres diagnosticadas como inférteis devido à Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (MRKH). O procedimento analítico conduzido é a leitura difrativa, mediante a qual lemos as vivências das participantes através de alguns dos posicionamentos ontológicos depreendidos por Karen Barad das teorizações de Niels Bohr sobre mecânica quântica. Resultados: Da leitura difrativa das vivências das três participantes da pesquisa à luz das teorizações baradianas emerge um entendimento acerca das capacidades reprodutivas de mulheres com MRKH que identifica tais atributos enquanto phenomena sociomateriais ontologicamente relacionais e em constante transformação, cuja complexidade tecnológica, política, econômica e social torna insustentável qualquer tipo de essencialismo biológico. Conclusões: O realismo agencial de Barad e seu método de leitura difrativa nos convidam a resistir à tentação de atribuir aos corpos características e capacidades constantes, universais e independentes dos contextos e aparatos material-discursivos que as produzem, figurando enquanto promissoras ferramentas teóricas e metodológicas para esforços investigativos qualitativos que, partindo das ciências sociais, se debruçam sobre as temáticas da saúde reprodutiva, do corpo e de suas propriedades.

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Publicado

2021-07-08

Como Citar

Caynnã de Camargo Santos, & Virgínia Ferreira. (2021). Capacidades reprodutivas de mulheres com malformação congênita do aparelho reprodutor: Uma leitura difrativa à luz do realismo agencial de Karen Barad. New Trends in Qualitative Research, 8, 654–662. https://doi.org/10.36367/ntqr.8.2021.654-662