O CARÁTER DIALÓGICO DA PESQUISA QUALITATIVA
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Resumo
No que se refere à metodologia no contexto das Ciências Sociais, a literatura tem-se centrado em dois vetores principais: na diferenciação entre metodologias qualitativas e quantitativas e nas possibilidades de complementaridade entre ambas. Este ensaio teórico-metodológico não pretende aprofundar as caraterísticas das metodologias, tampouco advogar qualquer tipo de incompatibilidade entre elas, mas tem por objetivo refletir sobre até que ponto as metodologias qualitativas são exclusivamente qualitativas e, sobretudo, as quantitativas são exclusivamente quantitativas. Para isso, pretende refletir sobre as seguintes questões epistemológicas: Qual a importância da análise qualitativa no âmbito das pesquisas, sobretudo empíricas, e de que forma podem, e devem assumir um caráter dialógico com as ações de pesquisa quantitativa? O que há de qualitativo na pesquisa quantitativa? Com base nos estudos do processo de triangulação da pesquisa qualitativa desenvolvido anteriormente pelos autores, a reflexão teórico-metodológica que agora se apresenta neste artigo, pretende responder à inquietação sobre a relação imbricada das pesquisas qualitativas e quantitativas. Ainda que na pesquisa quantitativa os resultados numéricos sejam a principal base de sustentação, sobretudo com relação aos fenómenos sociais, é evidente a importância da compreensão dos dados de forma contextualizada sobre as experiências socioculturais e os processos de construção do tecido social, o que implica por um lado, um diálogo entre um sujeito (capaz de reflexão e interpretação) e um objeto de estudo (refletido nos resultados); e, por outro, entre metodologias qualitativa e quantitativa. O resultado reflete a não existência de limites rígidos e impeditivos de uma imbricação entre os métodos. No entanto, para além da triangulação clássica, considera-se que nas pesquisas qualitativas também existe a quantificação de dados, mas também na pesquisa quantitativa, diferentes etapas são realizadas à luz de processos qualitativo. Em conclusão, impõem-se a necessidade de pensar que a dialogicidade da pesquisa ocorre em todas as etapas do seu desenvolvimento.
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https://orcid.org/0000-0001-9401-6510