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Mônica Lima https://orcid.org/0000-0002-6666-8463

Resumo

O uso do desenho feito pela pesquisadora-desenhista na psicologia social é incomum como produção do conhecimento e mesmo como divulgação de resultados. Embora, encontremos rastros do uso de desenho em estudos experimentais da psicologia social clássica. Em tais estudos os desenhos parecem estar bem distantes das raízes performáticas da ciência social ou das tendências contemporâneas das pesquisas baseadas em artes. Ele limitava-se a ilustrações de procedimentos, marcação da disposição espacial entre experimentador e participantes da investigação. No presente artigo tenho como objetivo defender o uso do desenho realizado pela pesquisadora-desenhista como uma das estratégias de visibilidade e rigor do processo de produção e de análises das informações na pesquisa em psicologia social construcionista/pós-construcionista. Utilizei informações produzidas em uma investigação sobre profilaxia pré-exposição para infeção do vírus na imunodeficiência adquirida - HIV (PrEP) e os sentidos produzidos nas relações afetivo-sexuais de homens gays, em Barcelona-Espanha. A PrEP é 99% eficaz para o controle de infecção pelo HIV. Entrevistei 10 usuários de PrEP e fiz 11 desenhos. As entrevistas foram gravadas e transcritas, os desenhos foram elaborados ao longo do processo de produção e análise das informações. Neste artigo, descrevo a produção de sentidos, refletividade e desfamiliarização que o meu encontro com um dos entrevistados que usava PrEP e se infectou pelo HIV gerou, de nome fictício Plutón. Detalho as etapas de elaboração do desenho “Sexualidad Atenta”: a ausência presente do invisível e PrEP, 2022, e as repercussões teórico-metodológicas decorrentes de questionar se se tratava de um “exemplo negativo”. Concluo que desenhar me auxiliou na compreensão de que não se tratava de exemplo negativo na leitura psicossocial proposta pelo referencial teórico adotado.

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Seção
Estudos Empíricos com Reflexão Metodológica

Como Citar

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